sábado, 11 de fevereiro de 2012




O tédio veio a mim. Deixei ele me possuir, fazer parte do meu ser. Junto a ele, ela surgiu. Novamente, permiti que entrasse.
Ela me disse que gostava de ler, mas tudo que lia eram livros de auto ajuda. Falou que gostava de cinema, mas nunca assistiu Chaplin. Não sabia quem era Steven Spielberg e quando assistiu ao filme "A origem", não entendeu nada. Adorava música e mal conhecia Tom Jobim, tão pouco Chico Buarque.
Disse que gostava de poesia, mas novamente não sabia. Não sabia quem era Caio Fernando Abreu, achava que Carlos Drummond de Andrade era apenas mais uma rua da capital e que Cecilia Meireles era alguma atriz da Globo que não atuava a algum tempo. Conhecia Mario Quintana apenas por ser gaúcho e nada mais.
Gostava de jornal, entretanto nunca leu a coluna da Martha Medeiros ou do Paulo Santana, apenas fazia as cruzadinhas e gostava das tirinhas. Gostava de arte mas nunca ouviu falar de Beckett, Chopin ou de Van Gogh e seus girassóis.
Tudo isso foi me repugnando, me anojando e enjoando. Lhe faltava a cultura da qual gosto e aprecio, da qual um ser humano deve possuir ao menos uma parte. Logo disse tchau, fechei a porta, expulsei tudo e todos. Agora estou melhor, pois tudo era apenas uma peça, um ato e acabou.

10 setembro 2011

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