quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Viajante







Aprendeu em sua infância, onde foi difícil e a pouco tempo também era fazer com que sua voz fosse ouvida, que não lhe convinha falar aberta e sinceramente, isso o levou a preferir o mundo interior da sua imaginação.
Um dia que parecia comum como outros tantos, encontrou em sua caminhada outros viajantes. Andarilhos caminhantes que como ele flutuavam por ai em livros, músicas e desenhos. Diferentemente iguais, não no mundo da fantasia, mas nos acordes rabiscados de um velho livro empoeirado. E lá estava o viajante com inúmeras perguntas, um ponto de interrogação ambulante, possuidor de uma duvida corrosiva tentando descobrir não apenas que é, quer saber quem os outros são, assim talvez se encontre nos de mais. Sedento por conhecimento, estudante da vida, teve de estourar sua bolha p/ escolher entre seu mundinho confortável ou o mundo.
Acorda para viver em uma cidade cinza onde “a grama já não é mais verde”, com visitas freqüentes a um lugar onde é rei, vilão, super-herói, cavaleiro e samurai. Entrando no mundo adulto, carregando em sim uma criança que voa entre um canal televisivo. Seria ele capaz de entrar na TV? Não, isso é a vida e não Persona 4. E quem falou que seu mundo fantástico era apenas imaginação e não a verdadeira realidade? Não apenas uma cidade cinzenta agora, uma cidadela de um intenso escuro negro. Por isso viveu nas sombras à margem de um eclipse.
Andando pelas ruas da capital se procurando. . . Nem sinal, não se encontrando. Literalmente perdido e tentando se encontrar, procurar a solução que é também seu problema, quando se encontra novamente se perde. Essa é sua vida, seguindo o cronograma de uma pequenina rotina, sua cadeia de um infinito ciclo. Estando assim sempre perdido. Um nômade que esqueceu de buscar seu outro lado na rodoviária, sem saber o caminho para casa perdeu-se em tempo-espaço. Agora procura seu outro eu que encontra-se perdidamente perdido no desconhecido e simplesmente por esse motivo que carrega sua bagagem andando de mundo em mundo. Incansavelmente lá vai o viajante entre carbono e enxofre de um mundo nublado que é a realidade.


ligado 24 maio 2010


(Yuri Bittencourt)

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